Sala de Educação Infantil - Escola São José - Faz. de Cima
Nos fundamentos dos domínios da Psicologia do Jogo foi possível compreender que as teorias psicológicas clássicas sobre o jogo infantil levam os educadores a concluir importância da possibilidade de estimular capacidades maturacionais com jogos infantis.
O autor clássico, Freud, defendeu que a atividade mais intensa e favorita da criança é o jogo, a brincadeira. Sendo assim, podemos propor que a infância é o tempo do brincar. Uma criança brincando, indaga Freud, estaria se comportando de forma similar à de um poeta; ou seja, criando um mundo particular para si mesma e adequando este mundo novo ao seu prazer (aquilo que não lhe agrada é reajustado ao seu agrado, nas brincadeiras) ?
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É no brincar que a criança se comporta como um escritor criativo, construindo uma nova ordem de coisas que lhe agrade. O jogo infantil comporta então esta reconciliação dos dois princípios presentes na dialética da desilusão / ilusão: o princípio de realidade se instaura na perda do objeto através de sua representação, e a partir daí é instaurado um espaço ilusório que permite a mediação entre o desejo e sua interdição. Nesta visão o brincar é constituinte do fantasma, reordenando-o num fluxo permanente de deslizamento metonímico-metafórico. O brincar modifica então a dinâmica do sujeito, pois sua dimensão simbólica renova a construção fantasmática.
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Assim, brincando, a criança leva o mundo bem a sério e faz uma perfeita distinção entre a realidade e o jogo. Tavares nos lembra que para Freud a antítese de brincar não é o sério, mas o que é real” (Freud, 1976, p. 149).
Freud referia-se, certamente, a esse real como realidade dos adultos.
Desse percorrido depreendemos que o brincar, o jogo e o faz-de-conta é imprescindível na estruturação psíquica de uma criança. É o que lhe permite funcionar sem cair no real, isto é, não ficar reduzido a um ‘joelho’ – , nem na alienação absoluta no Outro, ou seja ser ecolálico. É o que permite, como diz Charles Melman (1997), certa liberdade subjetiva.
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REFERENCIAS
FREUD, S. Cinco lições de Psicanálise – Contribuições à psicologia do amor. Tradução de Durval Marcondes, Rio de Janeiro, Imago, 1997, p. 59.
FREUD, S. Além do princípio do prazer Tradução de Christiano Monteiro Oiticica, Rio de Janeiro, Imago, 1998
FREUD,S.(l9l4). Algumas reflexões sobre a Psicologia escolar. Edição Stardart Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIII, Rio de Janeiro, Imago, 1974
TAVARES, E. E. O Brincar na clínica com crianças. Ato e Interpretação, Ano VIII, nº 14, APPOA, Março de 1998).
WINNICOTT, D.W Gesto Espontâneo. São Paulo, Martins Fontes, 1990
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Como entender a infância? O que torna a infância um tempo específico? Ela é um tempo de não fala, um tempo de não ter o domínio da razão, do verbo, da lógica do pensamento racional. A infância se define pelo negativo, essa sempre foi a tendência. A infância era uma espécie de fase mais próxima entre o bicho e o ser humano: tempo dos instintos, do choro, do não controle, dos caprichos.
Ela é vista como um tempo que não tem identidade, que não se define por si mesmo, se define em relação à vida adulta, tida como o tempo nobre da vida humana. A vida adulta é o tempo do raciocínio, da fala, das grandes decisões, da gestão do mundo, da gestão da cidade e, nesse sentido, todos os tempos anteriores à vida adulta são considerados tempos preparatórios. Mas eu não considero que a infância seja uma preparação para a cidadania.
A infância é um tempo de cidadania.


















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